Exposição: "Das Aroeira às Andromedas"

CEETEPS - Nova Luz - Mezanino

18 de agosto à 05 de setembro de 2014

 

Explanação Geral

 

Perseus, herói mitológico, num transpasse no tempo, até nossos dias, certamente teria muito trabalho. Não seria nada fácil enfrentar tantos ”monstros” e problemas criados pelo próprio homem. Visando fornecer elementos para reflexão, mesmo que de forma dissimulada, foi montada esta Exposição abrigando fragmentos de nosso entorno. Como brinde a Perseus, a lembrança de Andrômeda.

 

Uma floresta encantada abrigando a vida ou será mera miragem bucólica dos sonhos? Qual a realidade? O espírito da Floresta certamente abalado pela sua impotência junto à industrialização e num esforço descomunal batalha na tentativa em manter não só a vida local como para garantir os bens mínimos de subsistência para a vida no planeta. Ingênua penalização incontida das matas com resultados mais devastadores que uma guerra de titãs. No entanto, basta o homem entrar em estresse para ser indicada uma receita infalível a de se buscar maior contato com a Natureza. Todo ciclo de vida baseia-se na Mãe Terra.

 

Sonhos e pesadelos, bons ou ruins? Bons num relance de diversão e criatividade. Sérios quando faz do homem um depósito de problemas, sob toda sorte de pressões. Nem tudo é sonho de criança, mesmo que habitados por um mundo de monstros. Muitos pesadelos advêm da dura realidade sejam resultados de problemas financeiros, saúde, guerras... e aqui os seres e suas angustias são tratadas, pelo poderio, como inexistentes ou invisíveis. O homem vive sob os domínios dos mais fortes ou dos que detém o poder. Jovens “sequestrados” de sua infância, direito à educação e a cultura, costumes, tudo sob interesses múltiplos de terceiros. Sem contar os costumes ditatórios de beleza e maltrato às mulheres.

 

Fugindo à padronização, e num intervalo de forma, como num jogo de hexágonos, que bem poderiam conter enredos distintos quando da sua alteração de ordem, apresentam-se alguns flashes do porvir: a compulsão desenfreada por itens industrializados, os desafios na preservação de territórios, o poderio desenfreado, a carência de conhecimentos, o despertar e o caminho para o desafio.

 

Não parando por aqui, buscando uma maior transparência, teremos que enfrentar ainda o império, o desejo pela fortuna, as guerras e as dificuldades da busca pela paz, a globalização, as novas expectativas, as mudanças climáticas, as riquezas perdidas antes de descobertas, a dependência por drogas, os desencontros e a descoberta do vasto espaço em busca de nossa origem.

 

Sem demagogia, saindo de nossos domínios, hoje testemunhamos uma pseudopolítica defendendo a interesses escusos, concentração de riquezas, desmandos, uma industrialização desenfreada e irresponsável, guerras incontidas por busca de novos domínios, etc. e os problemas acabam por ser cada vez maiores. Um desafio descomunal à manutenção da ordem e da vida no planeta. As malformações psicológicas e a inversão de valores dificulta ainda mais a busca de uma ordem. Como vimos os problemas são muitos, mas não nos iludamos, Perseus não poderá resolver nossos problemas. Esperemos que com sua visita consiga-se despertar para uma visão menos egocêntrica, mais consciente e crítica das necessidades de melhorias para garantia de um futuro.

 

Quanto à Técnica

 

Com Obras de três artistas visuais já reconhecidos no meio artístico: Cleusa Rossetto, Linda de Sousa e Osvaldo Mantovani, esta Exposição “Das Aroeiras às Andromedas” fornece a diversidade de mídia e técnica onde o processo envolvido e o representado variam resultando em forças distintas junto ao Expectador. Nas florestas e sonhos a mídia foi o papel como símbolo de fragilidade, enquanto que as angústias são representadas em mídia impressa sobre tela retratando uma maior fixação e penetração no ser. Este por sua vez é tratado de forma vazada intuindo invisibilidade ou nenhuma significância diante dos responsáveis pela sua situação. As obras em hexágonos já trabalham com a ideia de jogo e de que podem ser questionados de maneiras distintas. Uma alusão ao jogo de palavras. Quanto às obras em metacrilato busca-se uma representação mais nítida e próxima do expectador. Imagens com recursos científicos, sensuais, com planos de observação distintos, foco no macro e no micro confundindo o Expectador. Tudo é brilho e com frescura pela modernidade visível, mesmo diante das agruras. Situação de que nada é questionado.

 

Do figurativo ao abstrato, as Obras elaboradas, em sua maioria de forma digital, não foram produzidas de forma meramente automática sobre imagens reais ou construídas através do computador, houve uma constante preocupação no tratamento destas e nas intervenções propositadas. Houve um enriquecimento dos traços, criação de novas estruturas, texturas personalizadas foram introduzidas formando o objeto, o cenário, etc. deixando como protagonista as ideias, em aberto a interpretação, para formação do enredo.

 

Cleusa Rossetto

Curadora e Organizadora

 

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